Por Tullio Damin da Sois
Não faz muito tempo que veio à tona a criação de uma iniciativa partidária por parte do PCdoB, o Partido Comunista do Brasil, a qual se chamaria Movimento 65. Com uma identidade visual dando destaque ao verde e amarelo e reduzindo ao máximo a presença da cor vermelha, a cor do comunismo e da identidade visual histórica do partido, especulou-se muito na imprensa e nos meios políticos sobre uma alteração de nome e identidade do PCdoB.
A especulação estava equivocada, mas o motivo da mesma é compreensível: o princípio da iniciativa dos comunistas é o mesmo pelo qual recentemente diversos partidos políticos optaram por alterar seus nomes e identidades. Vejamos o por que dessa confusão e o que está por trás de todo esse movimento de “novas embalagens” na política brasileira.
O tal do Movimento 65 é, na verdade, uma iniciativa do PCdoB para a atração e formação de lideranças políticas alinhadas às suas pautas e ideias. A estratégia é a seguinte: foram criados dois movimentos, o Movimento dos Comuns e o Movimento 65. O primeiro possui um caráter não necessariamente partidário, buscando atrair lideranças de movimentos sociais e pessoas em geral contrárias à administração do Governo Federal de Jair Messias Bolsonaro, com o objetivo de apresentar a elas as ideias e plataformas políticas do partido. Então, aqueles que se identificarem com o perfil do PCdoB e quiserem se candidatar a cargos políticos passam a integrar o segundo movimento, que tem como objetivo a conquista do maior número possível de legislaturas e prefeituras nas Eleições Municipais de 2020 – também se fortalecendo, é claro, para as eleições seguintes.
E é daí que surge o questionamento: sendo o PCdoB um partido político bem estabelecido, de longa data e presença nacional, por que optaram as suas lideranças pelo lançamento de “movimentos” com uma identidade visual fortemente alterada e praticamente desprovida de referências às cores e símbolos do Comunismo? A resposta dos organizadores do Movimento 65 é de que o termo “Comunismo” foi muito desgastado nos últimos anos, e é por isso que se faz necessária a utilização de termos mais palatáveis à população em geral – afinal de contas, o partido quer atrair, e não afastar, novos apoiadores e filiados.
No caso específico do PCdoB, o motivo dessa iniciativa é contornar o desgaste nos anos recentes da esquerda brasileira, e em especial dos apoiadores do Comunismo, por conta dos inúmeros escândalos de corrupção dos governos petistas. Mas, como inicialmente mencionado, esse é somente mais um caso de tentativa de afastamento da imagem negativa que a política possui no imaginário popular brasileiro dentre os partidos políticos do país.
A lista de alterações nos últimos anos é extensa: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, virou só MDB; o Partido Trabalhista Nacional (PTN) e o Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) são agora Podemos e Avante, respectivamente; o Partido Progressista (PP), antes Partido Democrático Social (PDS), virou somente Progressistas; o Partido Ecológico Nacional (PEN) é agora o Patriota; o antigo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) se tornou a Democracia Cristã; e o Partido Republicano Brasileiro (PRB) e o antigo Partido Popular Socialista (PPS) agora são somente Republicanos e Cidadania, respectivamente. O atual Democratas já foi conhecido como o antigo Partido da Frente Liberal (PFL), e é o único caso de alteração de nomenclatura mais precoce – ainda em 2007. Por fim, há somente um caso atípico de mudança, no qual o termo “partido” foi mantido no nome da agremiação: o do antigo Partido da República (PR), resultado da fusão entre o Partido Liberal (PL) e o Partido da Reedificação da Ordem nacional (PRONA), e que recentemente voltou a se chamar Partido Liberal (PL) – provavelmente uma tentativa de surfar a onda de ascendência das ideias conservadoras e liberais no país.
Ao que tudo indica, o motivo por trás dessa vasta lista de alterações partidárias é basicamente o mesmo: a crise de representatividade dos partidos políticos brasileiros em relação à população do país. Não é de hoje que grande parte da população brasileira possui um nível elevado de desconfiança com relação à política brasileira e, portanto, com seus representantes e organizações também. Adicione-se a isso a continuidade – e o nível cada vez mais escandaloso – das revelações de esquemas de corrupção que se espalhavam e ainda se espalham por todas as entranhas do poder público do Brasil, e fica extremamente fácil de se entender a crescente insatisfação da população com a esfera política brasileira.
No caso específico dos partidos, pode-se argumentar o seguinte: tradicionalmente, a maior parte dos partidos políticos brasileiros trazia, e ainda traz, em seus nomes termos que indicam o seu posicionamento político, que condensam as suas posições ideológicas e os seus programas partidários. E isso obviamente implica na presença do termo “partido” na nomenclatura de tais agremiações, como forma de firmar o caráter político de seus posicionamentos.
Há uma associação direta e natural, portanto, da palavra “partido” com a política. E é exatamente com o intuito de se distanciar e desvincular-se da imagem negativa e desgastada da política que está presente no imaginário popular brasileiro que tal alteração de nomenclatura virou moda entre os partidos políticos brasileiros. E a forma pela qual isso é feito normalmente se dá pela escolha de termos mais genéricos, de conotação mais positiva e pouco desgastada, que aparentemente são mais palatáveis à população em geral.
Então, não se engane: tais mudanças são muito mais uma jogada de marketing, uma mera mudança de fachada por parte dos partidos, do que uma sinalização de que as práticas políticas serão mudadas. A verdadeira – e tão necessária – renovação política brasileira não passa por fazer remendos de panos novos em vestidos velhos. E quem também acha que somente rostos novos resolvem o problema também entra em um equívoco. A verdadeira renovação política passa por novas práticas: pelo compromisso com o eleitor e com o pagador de impostos; pela coerência entre o discurso e a prática.
E não é nada difícil saber onde encontrar uma boa dose dessa tão almejada coerência...
O título deste presente texto nos causa espanto, sem dúvida! Aliás, quem poderia ser contra qualquer projeto capaz de prover mais dignidade ao povo br...
Marcelo Slaviero foi recebido pela superintendente do Hospital Pompéia, Lara Vieira e diretores de áreas da instituição. Na conversa, ele ressaltou a ...
Lá se foram dois anos desde a nossa campanha à prefeitura de Caxias do Sul, quando ficamos honrados pelo apoio demonstrado pela população. O resultado...